quarta-feira, 7 de outubro de 2020

"A expansão da República Socialista Portuguesa" in Público

 

João Miguel Tavares

 

 

A expansão da República Socialista Portuguesa

 

Está mais do que visto que este país não é para gente independente.


6 de Outubro de 2020 - https://www.publico.pt/2020/10/06/opiniao/opiniao/expansao-republica-socialista-portuguesa-1934043

 

Este fim-de-semana ofereceu-nos mais duas notícias da expansão imparável da República Socialista Portuguesa, que a cada dia que passa vai conquistando mais território, mais cargos, mais poder. Uma dessas notícias foi a não-recondução do presidente do Tribunal de Contas, Vítor Caldeira, que estava a ser desde 2016 uma das mais incómodas pedras no sapato do Governo, e cuja independência já tivera o condão de irritar ministros, presidentes de câmara e o próprio António Costa.

Ainda há dias, o Tribunal de Contas alertara para o facto de a simplificação do código de contratação pública que o governo deseja aprovar ser “susceptível de contribuir para o crescimento de práticas ilícitas de conluio, cartelização e até mesmo de corrupção na construção pública”. António Costa aproveitou para telefonar a Vítor Caldeira informando-o de que não contava com ele para mais mandatos à frente do Tribunal de Contas.

Se já é bastante bizarro ser o governo a escolher o nome que preside a uma entidade cuja função é fiscalizar o governo, o primeiro-ministro veio agora justificar a não-recondução com um “princípio de não-renovação de mandatos nestas funções” que ele acabou de inventar. No caso da procuradora-geral da República Joana Marques Vidal, a desculpa, se bem se recordam, foi que o seu mandato era longo e, portanto, deveria ser único (apesar de isso não constar na lei). Só que o mandato do presidente do Tribunal de Contas é de quatro anos, e Guilherme d’Oliveira Martins, antecessor de Vítor Caldeira, cumpriu três mandatos consecutivos, entre 2005 e 2015 – ou seja, em 2013 até foi reconduzido no cargo pelo governo de Passos Coelho, num daqueles momentos de decência institucional que vão sendo cada vez mais raros.

Vítor Caldeira, apesar de escolhido pelo PS em 2016 (saudosos tempos em que António Costa ainda se preocupava em mostrar algum decoro nas suas nomeações), após três mandatos como presidente do Tribunal de Contas Europeu, não foi suficientemente manso na sua actividade para os exigentes critérios socialistas, e acabou corrido. Mais uma prova, se ainda mais provas fossem necessárias, de que quem se mete com o PS, leva.

Está mais do que visto que este país não é para gente independente – mesmo que a palavra “independente” esteja escrita nos cargos em que o PS enfia os seus boys e girls. O fim-de-semana trouxe-nos uma outra notícia, que infelizmente passou mais despercebida, sobre o Conselho Geral (alegadamente) Independente da RTP. O governo já lá tinha enfiado o devoto embaixador Seixas da Costa em 2017. Agora vai enfiar o beato Arons de Carvalho. E, entretanto, fomos informados que Manuela Melo, mais uma ex-deputada do PS, vai ser cooptada pelos restantes. Em seis membros, pelo menos três são socialistas declarados. Comparem o novo Conselho Geral com o original, de 2014, e apreciem como a obsessão socialista pelo controlo de tudo aquilo que mexe vai destruindo e abastardando uma ideia estimável.

Nos primeiros anos de António Costa como primeiro-ministro, Joana Marques Vidal era PGR, Teodora Cardoso estava à frente do Conselho das Finanças Públicas, o Banco de Portugal ainda não estava nas mãos de Mário Centeno, o Conselho Geral Independente da RTP era independente e o Tribunal de Contas escrutinava o governo. Vejam o estado em que estamos em 2020, comparem o nível de compadrio do governo Costa com o do governo Passos Coelho, e depois digam-me que é tudo igual. Continuemos a dormir, que #vaificartudobem.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

FERRO DA VERGONHA

Ferro Rodrigues, a segunda figura do Estado andou ontem a fazer de ditador em plena Assembleia da República, logo ele que diz ter sido muitas vezes perseguido pela ditadura de Salazar.

Quando um deputado do PCP na Assembleia da República perguntou:
"Foi para isto que fizeram o 25 de Abril? É uma vergonha!"
A palavra vergonha não tinha mal, certo?

Quando Jorge Coelho enquanto deputado disse:
"A vergonha é não ter vergonha"
A palavra vergonha não tinha mal, certo?

Quando na constituinte Galvão de Melo disse:
"Sinceramente, não sentis vergonha em presença de tais descolonizações? Vergonha e amargura? Eu, sim."
A palavra vergonha não tinha de certeza mal!

Quando Eça de Queiroz escreveu sobre a Assembleia:
"O parlamento é uma vergonha".
A palavra vergonha tinha muita razão de ser, certo?

Quando Marinho Pinto na tomada de posse como Bastonário da Ordem dos Advogados disse:
"É, pois, o momento de denunciar publicamente a vergonha que alastra... Trata-se de uma vergonha a que rapidamente tem de se pôr cobro..."
A palavra vergonha tinha mal?

"Apesar de se tratar de um órgão fundamental para o equilíbrio de poderes durante a Monarquia, o seu desprestígio era considerável, ao ponto de motivar comentários pouco agradáveis do rei D. Pedro V, que chegou a confessar vergonha da sua existência."
E aquí já se poderia dizer que a Assembleia era uma vergonha, ou não?

Quando este mesmo Ferro Rodrigues disse na Assembleia da República para Passos Coelho:
"O que se passa na TAP é uma vergonha para o seu Governo".
A palavra vergonha não tinha mal nenhum, certo?

Dir-se-ia que o que Ferro Rodrigues fez ontem é que é uma vergonha. Se tiver um pouco de vergonha, retratar-se-á do que fez.

A noção de que somos alvo da troça é tremenda. Kafka dizia que não há nada mais estigmatizante que a vergonha. Será que a Vergonha de saber que o deputado do Chega tinha razão, estigmatizou assim tanto Ferro Rodrigues?



https://www.publico.pt/2019/12/12/politica/noticia/votos-propostos-palavra-vergonha-abrem-guerra-ventura-ferro-rodrigues-1897178

quinta-feira, 7 de março de 2019

Uma “família” muito grande...


25 Fevereiro, 2019
by Cristina Miranda

Não há mais nenhum caso como o nosso na Europa. Nenhum. Somos manifestamente uma “República familiar” onde quase todos os parentes do PS têm lugar no governo.
Uma vergonha que nos coloca ao nível dos países mais corruptos e ditatoriais mas que não envergonha nadinha o PS que usa e abusa do nepotismo para se instalar e perpetuar-se no poder. Isto não é uma democracia.
Isto é um “polvo”. Uma “família siciliana”. Um negócio.
Não lembra nem ao diabo ter no mesmo governo a família inteira Vieira da Silva: pai, mãe e filha.
Como não lembra ter inúmeros cônjuges, filhos, noras, irmãos e amigos (estes nunca podem faltar). 
Preparados para a lista extensa?
Aqui vai:

  • João Gomes Cravinho, ministro da Defesa, é filho do ex-ministro João Cravinho;
  • António Mendonça Mendes, secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, é irmão de Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta do PS;
  • Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna, é marido de Ana Paula Vitorino, ministra do Mar;
  • Ana Paula Vitorino, ministra do Mar, escolheu recentemente o advogado Eduardo Paz Ferreira para presidir à comissão que vai renegociar a concessão do terminal de Sines (em cima da mesa: 100 milhões de euros para expansão do terminal);
  • O advogado Eduardo Paz Ferreira é marido da ministra da Justiça, Francisca Van Dunem;
  • Maria Manuel Leitão Marques, que agora deixou o governo, irá ocupar em Junho o cargo de deputada do PS no Parlamento Europeu;
  • Esse cargo já antes foi ocupado pelo seu marido, Vital Moreira;
  • A mulher do eurodeputado Carlos Zorrinho, Rosa Matos Zorrinho, deixou de ser secretária de Estado da Saúde, mas foi, entretanto, nomeada para presidir ao conselho de administração do Centro Hospitalar Lisboa Central;
  • Guilherme Waldemar d’Oliveira Martins, filho do ex-ministro Guilherme d’Oliveira Martins, também deixou agora de ser secretário de Estado das Infraestruturas, após António Costa ter nomeado para ministro do Planeamento o seu amigo Nelson de Souza;
  • Nelson de Souza vai juntar-se no governo ao grande amigo Pedro Siza Vieira, ministro-adjunto;
  • Há ainda outro grande amigo, Diogo Lacerda Machado, que nunca quis ir para o governo, mas foi ajudando bastante, até acabar administrador da TAP. (Fonte Crónica Miguel João Tavares).

Calma que ainda não acabou:

  • Pedro Nuno Santos é casado com Ana Catarina Gamboa, também ela com um passado de dirigente da JS e mais recentemente assessora do amigo e ex-vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Duarte Cordeiro;
  • A mulher de Duarte Cordeiro, Susana Ramos, foi directora do departamento social da autarquia da capital, mas em Março de 2017 foi escolhida para coordenar um organismo criado pelo governo nessa mesma data;
  • O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, trabalhou com a mulher no próprio Ministério. Isabel Marrana foi chefe de Gabinete de uma das secretarias de estado, até ter pedido a demissão há 6 meses;
  • No gabinete do primeiro-ministro, está Patrícia Melo e Castro como assessora, cunhada de Ana Catarina Mendes, a número dois de António Costa no partido, que por sua vez, é irmã do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes;
  • No Ministério dos Negócios Estrangeiros encontramos Francisco, como Técnico Especialista desde 2015. E numa empresa da Defesa Nacional, vemos o irmão mais novo, João Maria, como assessor. (Fonte RTP Notícias).

Espere não se vá já embora.
Agora vem a família de César:

  • São cinco: além do líder parlamentar socialista, Carlos César, há outros quatro “césares” na administração pública e em cargos públicos;
  • a mulher foi nomeada pelo Governo regional;
  • o filho foi eleito pelo PS regional;
  • a nora nomeada por uma secretária do governo regional;
  • o irmão escolhido pelo ex-ministro da Cultura do actual Governo. (Fonte Sábado)

Está já cansado?
Resista mais um bocado.
Em Elvas, um concelho liderado pelo PS, a RTP denunciou recentemente o autarca Nuno Mocinha que abriu um mega-concurso público onde colocou 27(!!!) familiares seus. (Fonte RTP Notícias)

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Aragão, Barcelona, Catalunha - A Busca da Independência


"A decisão de união de Aragão e Castela agrilhoou um povo singular a uma existência incómoda e constantemente posta em causa durante séculos a fio. A repressão franquista ajudou a consolidar o movimento nacionalista catalão e montou o palco para o sentimento independentista que Madrid faz por estancar
Uma é cidade e a outra é região, mas não é raro misturar-se a História de Barcelona com a da Catalunha. Na verdade ainda antes de se começar a ouvir no continente europeu o termo ‘Catalunha’ já o condado de Barcelona existia há mais de três séculos, sob dependência do império franco, e correspondia à região nordeste da Península Ibérica, encaixada entre os Pirenéus e o Mar Mediterrâneo.
A aquisição de um estatuto dominante na região ao longo dos séculos XI e XII permitiu-lhe então gozar de mais de 150 anos de verdadeira independência, com plenos poderes para decidir o seu próprio destino. Foi essa mesma emancipação que levou a liderança catalã a afiliar-se à coroa de Aragão, por via do casamento entre o conde Ramon Berenguer IV e a rainha Petronila, em 1131. A conquista dos reinos de Nápoles, da Sicília e da Sardenha, pelo reino de Aragão, resultou num desenvolvimento económico e demográfico bastante acelerado na região da Catalunha - principalmente no posto comercial de Barcelona - que, mesmo submissa à autoridade aragonesa, conseguiu manter uma posição de relativa autonomia, com leis e instituições parlamentares próprias.
O ano de 1469 marca a entrada definitiva da Catalunha no grande jogo dos tronos da futura Espanha, com a união das casas reais de Aragão e Castela, através do matrimónio entre Fernando I e Isabel. A incorporação num território mais vasto - cujo centro político estava longe de Barcelona - resultou numa natural perda de relevância catalã, que acabou por ser agravada a partir de 1492, fruto das aventuras de Cristóvão Colombo nas Américas. Outrora o centro de um império mediterrânico, monopolizador do comércio na região, a Catalunha e a cidade condal sofreram na pele o deslocamento da atividade económica para o Atlântico e entraram em declínio económico e político.
Cansados de quase dois séculos de subjugação aos apetites económicos do império colonial espanhol e à taxação real excessiva, os catalães aproveitaram a presença dos exércitos de Felipe IV na Catalunha, destinados a combater a França de Luís XIII, para se rebelarem contra a coroa. A revolta durou 12 anos (1640-1652) e incluiu um período em que a Catalunha foi mesmo uma república autónoma sob proteção francesa.
A reocupação espanhola do território marcou o fim da revolução, mas foi incapaz de cortar pela raiz o sentimento de desdém catalão pelo poder central. Terá sido esse sentimento - aliado às vantagens comerciais que lhe oferecia o cenário oposto - que levou a Catalunha a apoiar a Casa dos Habsburgos, ao invés dos Bourbons de Felipe V, na lendária Guerra da Sucessão espanhola. A afronta catalã teve como ponto alto o mortífero cerco de Barcelona - que fez perto de 20 mil mortos -, entre 1713 e 1714, numa altura em que os apoiantes do pretendente austríaco já estavam praticamente alijados da guerra. Com a implantação da linhagem dinástica da Casa de Bourbon veio um castigo severo para os rebeldes da Catalunha. O Parlamento foi suprimido, o uso do catalão pelos funcionários do Estado na região foi abolido, e o sistema legal autónomo do resto do reino foi desmantelado.
A recuperação económica da Catalunha durante o século XIX abriu caminho à revitalização da identidade cultural histórica catalã e encorajou o florescimento de um nacionalismo verdadeiramente catalão, que foi ganhando adeptos ao longo de todo o século seguinte. A criação de um governo regional - a Generalitat -, no seguimento da instauração da segunda república em Espanha, em 1931, ofereceu à Catalunha uma pequena janela de autonomia, mas o espoletar da Guerra Civil, cinco anos mais tarde, marcou o passo para nova opressão do Estado à autodeterminação catalã.
A Catalunha aliou-se às forças republicanas contra o General Francisco Franco e foi um dos principais palcos da resistência antifascista, tão bem retratada na Homenagem à Catalunha, de George Orwell (1938), que retrata a experiência do autor no conflito, entre as fileiras do POUM (Partido Operário da Unificação Marxista).
A vitória do regime franquista em 1939 deu lugar a mais de três décadas de ditadura militar e a uma nova supressão da autonomia, cultura e língua catalãs. Milhares de opositores foram executados e outros milhares foram presos e torturados durante o ‘reinado’ autocrático de Franco, na Catalunha.
O escritor, jornalista, ensaísta, resistente político e criador do famoso detetive Pepe Carvalho,Manuel Vázquez Montalbán - um dos que sofreu duramente às mãos da polícia franquista, devido à sua militância comunista - recriou nos livros, de forma sublime, o ambiente vivido na Catalunha naquela época e uma vez colapsada a ditadura, em 1975, ganhou mesmo protagonismo no debate sobre os nacionalismos em Espanha, encafuados por Franco. «Se o franquismo conseguiu reprimir e ocultar as reivindicações nacionalistas e propor um único nacionalismo espanhol, a democracia do futuro terá a sua saúde e natureza pendentes enquanto não resolver os litígios relativos aos nacionalismos internos e as suas duas opções de fundo: separatismo ou confederação», refletiu, num artigo de opinião publicado no El País, em 2000.
Restaurado o seu estatuto autonómico e reconhecido o catalão como língua oficial do território, em 1979 - reforçado em 2006 - a Catalunha partiu para a consolidação da sua identidade, tradição e culturas únicas, beneficiando da transição democrática, do turismo, dos Jogos Olímpicos de Barcelona (1992) e do próprio clube futebol da cidade condal - FC Barcelona - para assumir com orgulho a singularidade da existência catalã e o seu desejo de autodeterminação, assente nas reivindicações referidas por Montalbán.
Com a crise económica trazida com a primeira década do novo século veio o renascimento dos movimentos independentistas catalães e uma série de braços-de-ferro entre a Generalitat e o Governo de Madrid, motivados, por um lado, pela declaração de soberania do Parlamento regional (2013), pela consulta popular à independência (2014) ou pela adoção de uma resolução preparatória para o projeto secessionista catalão (2015) e, por outro, pelos repetidos chumbos constitucionais e pela firmeza de Mariano Rajoy às movimentações da Catalunha. O próximo capítulo de uma História de resistência é já no próximo domingo. Com ou sem referendo.”
Uma explicação histórica sobre as motivações independentistas dos catalães, por Paulo Santos da Cunha.

Eucalipto Teimoso - O PPD/PSD de Pedro Passos Coelho

"Em 06 de Maio de 1974, no rescaldo da revolução de Abril, Francisco Sá Carneiro, Francisco Pinto Balsemão e Joaquim Magalhães Mota, entre outros, fundaram o então PPD.
Foi entendida a necessidade de criar um partido político que se diferenciasse das alternativas existentes à data, de matriz centro-esquerda, isto é, respeitador dos direitos do cidadão, promovendo e defendendo a democracia política, social e económica do Estado de Direito.
A importância, pertinência e urgência de tais valores, aliadas ao carácter exemplar, probo e combativo dos seus protagonistas, levaram a que a sociedade civil neles se revisse e, sobretudo, neles confiasse para, sucessivamente, a governar.
Hoje, infelizmente, assim não o é.
A ideologia e militância partidária no PSD andam de costas voltadas à sociedade civil. E utilizamos esta ordem e não a inversa, porque entendemos ser dever dos partidos acolherem aos apelos dos que os elegem e, sobretudo, dos que por eles são (des)governados.
No caso do PSD o exemplo é paradigmático e nem sequer é recente. Não se tratando de um revivalismo, certo é que o apregoar da memória de Sá Carneiro e dos princípios da social democracia, são curtos, insuficientes e, acima de tudo, espúrios e vazios, porquanto se torna cristalino que há muito que, na prática, o próprio partido deles se distanciou.
Acomodou-se ao epíteto de “partido de direita” e conformou-se com a ideia de alternância política com o outro partido do chamado “centrão”.
Tornou-se mais importante chegar ao poder do que saber governar; Conseguir o voto do que o merecer; Eleger do que ser eleito; Os líderes e o protagonismo individual do que as ideologias e a força do colectivo; A militância cega, seguidista, caciquista e “moldável” do que o pluralismo de ideias, a prossecução de fins sociais, a defesa de valores.
E, pior, o mal que afecta o PSD é transversal, porque funcional, com reflexos graves, perniciosos e potencialmente irreversíveis, com epicentro nas estruturas locais.
O Porto, por tradição, sempre foi palco de mudanças e convulsões, tendo assumido a voz primeira das necessidades de mudança, lutando contra o poder instalado e personificando soluções e alternativas. Muitas vezes o fez sozinho, mas sempre de uma forma leal, responsável e consciente.
Impõe-se que levante novamente a voz e preconize alternativas, devolvendo o PPD aos seus valores, à sua linha programática e, sobretudo, às suas gentes."
* Texto escrito em 2013 por um grupo de militantes do PSD Porto, que a nível individual, chamou a atenção à direcção do partido. Está actual como nunca...

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Evolução da dívida direta do Estado - Agosto 2017


Evolução da dívida direta do Estado - Agosto 2017
Em 31 de agosto de 2017, o saldo da dívida direta do Estado cifrou-se em EUR 245.636 milhões, aumentando 0,6% face a julho de 2017. Este aumento do stock ficou a dever-se, essencialmente, ao aumento do saldo de OTRV, em resultado do lançamento da OTRV AUG2022, no montante de EUR 1.200 milhões, bem como, pelo saldo de BT, explicado pela realização de 2 leilões (nos montantes de EUR 250 milhões na linha a 3 meses BT 17NOV2017 e EUR 860 milhões na linha a 11 meses BT20JUL2018). Por outro lado, verificou-se um reembolso antecipado do empréstimo FMI no montante de SDR 668 milhões (o equivalente a EUR 799 milhões). Adicionalmente, registou-se  uma diminuição do saldo de OT, em virtude da recompra bilateral da OT 4,75%JUN2019 (com o valor nominal de EUR 101 milhões). O saldo de CA diminuiu EUR 50 milhões, enquanto o saldo de CT manteve um contributo positivo, aumentando EUR 351 milhões. Já o stock de CEDIC registou uma diminuição de EUR 3 milhões, enquanto o saldo de CEDIM se manteve inalterado face ao mês de julho. As contrapartidas das contas margem recebidas no âmbito de derivados financeiros registaram uma redução de EUR 202 milhões. As flutuações cambiais contribuíram para uma diminuição do stock da dívida de EUR 79 milhões. 
A dívida após coberturas cambiais situou-se em EUR 244.735 milhões, refletindo os efeitos favoráveis das coberturas cambiais (no valor de EUR 902 milhões). Face ao mês precedente, a dívida após coberturas cambiais registou um aumento de 0,6%.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Défice e Dívida - "A HISTÓRIA QUE NOS QUEREM CONTAR"

in Jornal de Negócios
“A HISTÓRIA QUE NOS QUEREM CONTAR
A trajectória ascendente da dívida pública Portuguesa, e pela primeira vez em mais de 20 anos, baixou de 131% do PIB em 2014 para 128,9% em 2015, com o anterior Governo chefiado por Pedro Passos Coelho.
Depois veio a geringonça:
241 mil milhões em 2016 (subida de 10 mil milhões) e 249 mil milhões em Julho de 2017 (mais 8 mil milhões em seis meses).
Os socialistas dizem-nos: mas o défice desceu. Certo.
Mas desceu o défice face ao PIB, que subiu. O aumento da dívida pública é tão grave que, mesmo com o crescimento económico de 2017, o maior do século de acordo com as mentiras socialistas, mas o pior da Europa quando comparado o segundo com o primeiro trimestre deste ano, a dívida pública em percentagem do PIB traduziu-se, em 2016, em mais de 130%.
António Costa veio agora durante a campanha eleitoral, dizer que a partir de Outubro deste ano, depois das eleições autárquicas, o governo vai reduzir a dívida pública.
Como o fará, não diz. Se calhar nem ele sabe …
E não diz por um motivo simples: porque a redução a que se refere é a da percentagem da dívida face ao PIB e não do seu montante absoluto, que continuará a subir.
Ou seja, não será a dívida que diminui, mas o PIB que cresce. O que significa que vamos dever mais, e que cada vez mais viveremos o dia de hoje com o que vamos ganhar amanhã.
A ideia de António Costa é que o PIB cresça a qualquer custo, fazendo de conta que está tudo bem.
Mas quando a economia tropeçar devido a uma calamidade natural, a uma recessão num país próximo de Portugal, ou até porque quem compra a nossa dívida ache que é demais (caso do BCE), o crescimento abranda, a recessão instala-se, mas a dívida pública lá continua.
Já não serão 250 mil milhões de euros, mas 260, 270 e por ai fora, e com a queda, nessa altura inevitável do PIB, não serão 130%, mas sim 140% ou 150%, ou mais.
António Costa anda contente, mas as causas do seu contentamento são o esforço que todos fizemos entre 2011 e 2015 e que não deveríamos permitir que alguém o pudesse desbaratar para mero prestígio pessoal.
Até porque quem vai pagar esta loucura somos nós, não eles.
O aroma do poder, o desespero e a irresponsabilidade de meia-dúzia de doidos varridos fazem milagres pela harmonia …” by Luis Faria.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

"Não Compre Produto Judeu" (!!!) - RUHOLLAH KHOMEINI - Reacção inteligente de um Judeu

Não Compre Produto Judeu" (!!!) - RUHOLLAH KHOMEINI
 
Pouco tempo atrás, o líder supremo do Irã, aiatolá Ruhollah Khomeini, pediu ao mundo muçulmano para boicotar tudo e qualquer coisa que tenha  origem judaica; em resposta, Meyer M. Treinkman, um farmacêutico, fora da bondade de seu coração, se ofereceu para ajudá-los em seu boicote da seguinte forma:

"Qualquer muçulmano que tenha sífilis não deve ser curado pelo teste de Wasserman que foi descoberto por um judeu Dr. Ehrlich. Muçulmanos que tenham gonorréia, não deveriam procurar o diagnóstico, porque vai estar usando o método de um judeu chamado Neissner.

"Um muçulmano que tenha uma doença cardíaca não deve usar Digitalis, descoberta por um judeu, Ludwig Traube.

Se ele sofrer com uma dor de dente, não deve usar novocaína, uma descoberta dos judeus, Widal e Weil.

Se um muçulmano tiver diabetes, não deve usar insulina, o resultado da pesquisa por Minkowsky, um judeu.

Se alguém tem uma dor de cabeça, deve evitar Pyramidon e Antypyrin, devido aos judeus Spiro e Ellege.

Muçulmanos com convulsões devem ficar assim, porque era um judeu Oscar Leibreich, que propôs o uso de hidrato de cloral.

Árabes devem fazer o mesmo com seus males psíquicos, porque Freud, pai da  psicanálise, era um judeu.

Se uma criança muçulmana pegar Difteria, ela deve abster-se de o "Schick"reação, que foi inventado pelo judeu, Bella Schick.

Os muçulmanos devem estar prontos para morrer em grande número e não devem permitir o tratamento da orelha e danos cerebrais, trabalho de judeu ganhador do Prêmio Nobel, Robert Baram.

Eles devem continuar a morrer ou ficar aleijados por Paralisia Infantil, porque o descobridor da vacina anti-pólio é judeu, Jonas Salk.

Os muçulmanos devem se recusar a usar estreptomicina e continuar a morrer de tuberculose, porque um judeu, Zalman Waxman, inventou a droga milagrosa contra esta doença mortal.

Médicos muçulmanos devem descartar todas as descobertas e melhorias por dermatologista Judas Sehn Bento, ou o especialista em pulmão, Frawnkel, e de muitas outras de renome mundial cientistas judeus e especialistas médicos.

"Muçulmanos apropriadamente devem permanecer aflitos com sífilis, gonorréia, doença de coração, dores de cabeça, tifo, diabetes, transtornos mentais, convulsões poliomielite e tuberculose e terem orgulho em obedecer ao boicote islâmico".

Ah, e por falar nisso, não chame um médico em seu telefone celularporque o telefone celular foi inventado em Israel por um engenheiro judeu.

Enquanto isso eu pergunto, que contribuições médicas para o mundo os muçulmanos fizeram? "

A população Islâmica é de aproximadamente 1,200,000,000; um bilhão e duzentos milhões ou 20% da população do mundo.

Eles receberam os seguintes Prémios Nobel:
Literatura:
1988 - Najib Mahfooz
Paz:
1978 - Mohamed Anwar El-Sadat
1990 - Elias James Corey
1994 - Yasser Arafat:
1999 - Ahmed Zewai
Economia:
(Zero)
Física:
(Zero)

Medicina:
1960 - Peter Brian Medawar
1998 - Mourad Ferid

TOTAL: 7 SETE


A população global judia é de aproximadamente 14 milhões, cerca de 0,02% da população do mundo.

Eles receberam os seguintes Prémios Nobel:

Literatura:
1910 - Paul Heyse
1927 - Henri Bergson
1958 - Boris Pasternak
1966 - Shmuel Yosef Agnon
1966 - Nelly Sachs
1976 - Saul Bellow
1978 - Isaac Bashevis Singer
1981 - Elias Canetti
1987 - Joseph Brodsky
1991 - Nadine Gordimer Mundial

Paz:
1911 - Alfred Fried
1911 - Tobias Michael Carel Asser
1968 - René Cassin
1973 - Henry Kissinger
1978 - Menachem Begin
1986 - Elie Wiesel
1994 - Shimon Peres
1994 - Yitzhak Rabin
Física:
1905 - Adolf Von Baeyer
1906 - Henri Moissan
1907 - Albert Abraham Michelson
1908 - Gabriel Lippmann
1910 - Otto Wallach
1915 - Richard Willstaetter
1918 - Fritz Haber
1921 - Albert Einstein
1922 - Niels Bohr
1925 - James Franck
1925 - Gustav Hertz
1943 - Gustav Stern
1943 - George Charles de Hevesy
1944 - Isidor Isaac Rabi
1952 - Felix Bloch
1954 - Max Born
1958 - Igor Tamm1959 - Emilio Segre
1960 - Donald A. Glaser
1961 - Robert Hofstadter
1961 - Melvin Calvin
1962 - Lev Davidovich Landau
1962 - Max Ferdinand Perutz
1965 - Richard Phillips Feynman
1965 - Julian Schwinger
1969 - Murray Gell-Mann
1971 - Dennis Gabor
1972 - William Howard Stein
1973 - Brian David Josephson
1975 - Benjamin Mottleson
1976 - Burton Richter
1977 - Ilya Prigogine
1978 - Arno Penzias Allan
1978 - Peter L Kapitza
1979 - Stephen Weinberg
1979 - Sheldon Glashow
1979 - Herbert Charles Brown
1980 - Paul Berg
1980 - Walter Gilbert
1981 - Roald Hoffmann
1982 - Aaron Klug
1985 - Albert A. Hauptman
1985 - Jerome Karle
1986 - Dudley R. Herschbach
1988 - Robert Huber
1988 - Leon Lederman
1988 - Melvin Schwartz
1988 - Jack Steinberger
1989 - Sidney Altman
1990 - Jerome Friedman
1992 - Rudolph Marcus
1995 - Martin Perl
2000 - Alan J. Heeger

Economia:
1970 - Paul Anthony Samuelson
1971 - Simon Kuznets
1972 - Kenneth Joseph Arrow
1975 - Leonid Kantorovich
1976 - Milton Friedman
1978 - Herbert A. Simon
1980 - Lawrence Robert Klein
1985 - Franco Modigliani
1987 - Robert M. Solow
1990 - Harry Markowitz
1990 - Merton Miller
1992 - Gary Becker
1993 - Robert Fogel
 Medicina:
1908 - Elie Metchnikoff
1908 - Paul Erlich
1914 - Robert Barany
1922 - Otto Meyerhof
1930 - Karl Landsteiner
1931 - Otto Warburg
1936 - Otto Loewi
1944 - Joseph Erlanger
1944 - Herbert Spencer Gasser
1945 - Ernst Boris Cadeia
1946 - Hermann Joseph Muller
1950 - Tadeus Reichstein
1952 - Selman Abraham Waksman
1953 - Hans Krebs
1953 - Fritz Albert Lipmann
1958 - Joshua Lederberg
1959 - Arthur Kornberg
1964 - Konrad Bloch
1965 - François Jacob
1965 - Andre Lwoff
1967 - George Wald
1968 - Marshall W. Nirenberg
1969 - Salvador Luria
1970 - Julius Axelrod
1970 - Sir Bernard Katz
1972 - Gerald Maurice Edelman
1975 - Howard Martin Temin1976 - Baruch Blumberg S.
1977 - Roselyn Sussman Yalow
1978 - Daniel Nathans
1980 - Baruj Benacerraf
1984 - Cesar Milstein
1985 - Michael Stuart Brown
1985 - Joseph L. Goldstein
1986 - Stanley Cohen [& Rita Levi-Montalcini]
1988 - Gertrude Elion
1989 - Harold Varmus
1991 - Erwin Neher
1991 - Bert Sakmann
1993 - Richard J. Roberts
1993 - Phillip Sharp
1994 - Alfred Gilman
1995 - Edward B. Lewis
1996 - Lu RoseIacovino
 TOTAL: 129!

Os judeus não estão a promover lavagem cerebral em crianças em campos de treino militar, ensinando-os a fazerem-se explodir e causar mortes de judeus e outros não-muçulmanos.

Os judeus não seqüestram aviões, nem matam atletas nos Jogos Olímpicos, ou fizeram explodir-se em restaurantes franceses ou alemães.

Não há um único judeu que tenha destruído uma igreja.

Não há um único judeu que proteste matando pessoas. Os judeus não fazem tráfico de escravos, nem têm líderes que pedem Jihad e morte a todos os infiéis.

Talvez os muçulmanos do mundo devam considerar investir mais em educação e menos em padrão culpando os judeus por todos os seus problemas.

Os muçulmanos devem perguntar "o que podem fazer pela  humanidade ", antes de exigir que a humanidade os respeite.

Independentemente dos seus sentimentos sobre a crise entre Israel e os palestinos e seus vizinhos árabes, mesmo se você acredita que há mais culpa por parte de Israel, as duas frases seguintes realmente dizem tudo:

Se os árabes depuserem as armas hoje, não haveria violência nunca mais.
Se os judeus depuserem as armas hoje, não haveria mais Israel?
Benjamin Netanyahu: General Eisenhower advertiu-nos. É uma questão de história que, quando o Comandante Supremo das Forças Aliadas, General Dwight Eisenhower, encontrou as vítimas dos campos de extermínio ele ordenou todas as fotografias possíveis a serem tomadas, e que os alemães das cidades vizinhas fossem guiados através dos campos e ainda fez a enterrar os mortos.

Ele fez isso e disse em palavras: "Tenham tudo sobre documentação - obtenham os filmes - obtenham as testemunhas - porque em algum lugar no caminho da história algum bastardo se erguerá e dirá que isto nunca aconteceu".

Recentemente, no Reino Unido debatem-se para remover o Holocausto dos seus currículos escolares porque 'ofende' a população muçulmana, que afirma que nunca ocorreu.
Ele não foi removido ainda. No entanto, este é um presságio assustador sobre o medo que está atingindo o mundo, e o quão facilmente cada país está dando para ele.
Isto passa-se agora mais de 70 anos após a Segunda Guerra Mundial na Europa (terminou em 31/05/1945).
Agora, mais do que nunca, com o Irãn, entre outros, sustentando que o Holocausto é um mito, é imperativo assegurar que o mundo nunca esqueça.

Este texto destina-se chegar a 400 milhões de pessoas. Seja um elo na cadeia de memorial e ajudar a distribuir isso para todo o mundo.

Quantos anos vão passar para que se pense que o ataque ao World Trade Center 'nunca aconteceu' porque ofende alguns muçulmanos nos Estados Unidos?

Evolução da dívida direta do Estado - Abril/Junho/Julho



Evolução da dívida direta do Estado - Julho
Em 30 de junho de 2017, o saldo da dívida direta do Estado cifrou-se em EUR 244.644 milhões, aumentando 0,4% face a maio de 2017. Este aumento do stock ficou a dever-se ao aumento do saldo de OT, explicado pela realização de 2 leilões da OT 4,125% ABR2027 (no valor nominal de EUR 781 milhões) e da OT 2,2% OUT2022 (no valor nominal de EUR 570 milhões), bem como do saldo de BT, em resultado da realização de 2 leilões (nos montantes de EUR 250 milhões na linha a 3 meses BT 22SET2017 e EUR 1.050 milhões na linha a 11 meses BT18MAI2018). Por outro lado, verificou-se um reembolso antecipado do empréstimo FMI no montante de SDR 810 milhões (o equivalente a EUR 988 milhões). O stock de CEDIC registou um decréscimo de EUR 578 milhões enquanto o saldo de CEDIM se manteve inalterado face ao mês de maio. O saldo de CA diminuiu EUR 57 milhões, enquanto o saldo de CT manteve um contributo positivo, aumentando EUR 260 milhões. As contrapartidas das contas margem recebidas no âmbito de derivados financeiros registaram uma redução de EUR 5 milhões. As flutuações cambiais contribuíram para uma diminuição do stock da dívida de EUR 234 milhões.
A dívida após coberturas cambiais situou-se em EUR 243.378 milhões, refletindo os efeitos favoráveis das coberturas cambiais (no valor de EUR 1.266 milhões). Face a maio, a dívida após coberturas cambiais aumentou 0,5%.


Evolução da dívida direta do Estado - Junho
Em 31 de maio de 2017, o saldo da dívida direta do Estado cifrou-se em EUR 243.597 milhões, diminuindo 0,2% face a abril de 2017. Esta redução do stock ficou a dever-se, essencialmente, à diminuição do saldo de BT, explicada pela amortização do BT19MAI2017, no montante de EUR 2.611 milhões, que mais do que compensou os 2 leilões realizados, nos montantes de EUR 584 milhões (na linha a 6 meses BT 17NOV2017)  e  EUR 1.269 milhões (na linha a 12 meses BT 18MAI2018). Por outro lado, verificou-se um aumento do saldo de OT, explicado pela realização de 2 leilões da OT 2,2% OUT2022 (no valor nominal de EUR 695 milhões) e da OT 4,125% ABR2027 (no valor nominal de EUR 732 milhões), que mais do que compensaram as recompras bilaterais da OT 4,45%JUN2018 (com o valor nominal total de EUR 203 milhões). Já as amortizações de MTN denominado em euros ascenderam a 54 milhões, em virtude da amortização parcial do BND EUR OUT2022. O stock de CEDIC registou um decréscimo de EUR 63 milhões e o saldo de CEDIM uma diminuição de 1 milhão. O saldo de CA diminuiu EUR 90 milhões, enquanto o saldo de CT manteve um contributo positivo, aumentando EUR 314 milhões. As contrapartidas das contas margem recebidas no âmbito de derivados financeiros registaram uma redução de EUR 607 milhões. As flutuações cambiais contribuíram para uma diminuição do stock da dívida de EUR 345 milhões.

A dívida após coberturas cambiais situou-se em EUR 242.094 milhões, refletindo os efeitos favoráveis das coberturas cambiais (no valor de EUR 1.503 milhões). Face a abril, a dívida após coberturas cambiais diminuiu 0,02%.


Evolução da dívida direta do Estado - Maio
Não recebemos informação sobre a Dívida directa do Estado por parte do IGCP em Maio.


Evolução da dívida direta do Estado - Abril
Em 31 de março de 2017, o saldo da dívida direta do Estado cifrou-se em EUR 240.023 milhões, diminuindo 0,2% face a fevereiro de 2017. Esta redução do stock ficou a dever-se, essencialmente, à diminuição do saldo de BT, explicada pela amortização do BT17MAR2017, no montante de EUR 2.326 milhões, que mais do que compensou os 2 leilões realizados, nos montantes de EUR 250 milhões (na linha a 6 meses BT 22SET2017)  e  EUR 1.057 milhões (na linha a 12 meses BT 16MAR2018). Por outro lado, verificou-se um aumento do saldo de OT, explicado pela realização de 2 leilões da OT 2,875% JUL2026 (no valor nominal de EUR 651 milhões) e da OT 4,8% JUN2020 (no valor nominal de EUR 508 milhões), que mais do que compensaram as recompras bilaterais da OT 4,45%JUN2018 (com o valor nominal total de EUR 231 milhões). O stock de CEDIC registou um decréscimo de EUR 379 milhões, enquanto o saldo de CEDIM se manteve inalterado. O saldo de CA diminuiu EUR 168 milhões, enquanto o saldo de CT manteve um contributo positivo, aumentando EUR 464 milhões. As contrapartidas das contas margem recebidas no âmbito de derivados financeiros registaram uma redução de EUR 209 milhões. As flutuações cambiais contribuíram igualmente para uma diminuição do stock da dívida de EUR 138 milhões.
A dívida após coberturas cambiais situou-se em EUR 237.822 milhões, refletindo os efeitos favoráveis das coberturas cambiais (no valor de EUR 2.201 milhões). Face a fevereiro, a dívida após coberturas cambiais diminuiu 0,2%.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Uma visão germânica sobre o Islão - vale a pena ler! (recebido por email)

O que se passa actualmente no mundo, é de tal forma grave, que esta semana a Suécia voltou a implementar novamente o serviço militar obrigatório...!!!

É importante lerem este texto, para não dizerem um dia... sabia lá que o mundo estava assim?!

Esta é, de longe, a melhor explicação para a situação terrorista muçulmana que já li. Suas referências ao passado histórico são precisas e claras. Não é longa, é muito fácil de entender, e vale a pena ler.

O autor deste excerto que vão ler a seguir é Emanuel Tanya, um psiquiatra muito reconhecido e respeitado, de uma família da aristocracia alemã antes da II Guerra Mundial, que eram donos de um grande número de indústrias e propriedades.

Quando questionado sobre quantos alemães eram nazis verdadeiros, a resposta que ele deu pode orientar a nossa atitude em relação ao fanatismo:

"Muito poucas pessoas eram nazis verdadeiros ", disse ele, "mas muitos apreciavam o retorno do orgulho alemão e muitos mais estavam ocupados demais para se importar. Eu era um daqueles que só pensava que os nazis eram um bando de tolos. Assim, a maioria apenas se sentou e deixou que tudo acontecesse. Então, antes que soubéssemos, pertencíamos-lhes;  tínhamos perdido o controle e o fim do mundo havia chegado!  A minha família perdeu tudo. Eu terminei num campo de concentração e os aliados destruíram as minhas fábricas…".

Somos repetidamente informados por "especialistas" e "cabeças falantes" que o Islão é a religião de paz e que a grande maioria dos muçulmanos só quer viver em paz.

Embora esta afirmação não qualificada possa ser verdadeira, ela é totalmente irrelevante. Não tem sentido, tem a intenção de nos fazer sentir melhor e destina-se a diminuir, de alguma forma, o espectro de fanáticos furiosos em nome do Islão, um pouco por todo o mundo.

O facto é que os fanáticos governam o Islão neste momento da história. São os fanáticos que marcham. São os fanáticos que travam qualquer uma das 50 guerras de tiro em todo o mundo. São os fanáticos que sistematicamente abatem grupos cristãos ou tribais por toda a África e que estão tomando, gradualmente, todo o continente, numa cada vez maior, onda islâmica. São os fanáticos que bombardeiam, degolam, assassinam, ou matam em nome da honra. São os fanáticos que assumem mesquita após mesquita. São os fanáticos que zelosamente espalham o apedrejamento e enforcamento de vítimas de estupro e homossexuais. São os fanáticos que ensinam os seus filhos a matarem e a tornarem-se homens-bomba.

O facto duro e quantificável é que a maioria pacífica, a chamada "maioria silenciosa", está intimidada e é alheia!

A Rússia comunista foi composta por russos que só queriam viver em paz, mas os comunistas russos foram responsáveis pelo assassinato de cerca de 20 milhões de pessoas. A maioria pacífica era irrelevante.

A enorme população da China também foi pacífica, mas comunistas chineses conseguiram matar estonteantes 70 milhões de pessoas (!!!) e… não se fala disto!...

Antes da II Guerra Mundial, o indivíduo médio japonês não era um belicista sadista... No entanto, o Japão assassinou e chacinou no seu caminho por todo o Sudeste Asiático numa orgia de morte, que incluiu o assassinato sistemático de 12 milhões de civis chineses, mortos pela espada, pá e baioneta… E também não se fala nisto!

E quem pode esquecer o Ruanda, que desabou numa enorme carnificina. Não poderia ser dito que a maioria dos ruandeses eram "amantes da paz"?

As lições da História são muitas vezes incrivelmente simples e contundentes, ainda que para todos os nossos poderes da razão, muitas vezes falte o mais básico e simples dos pontos… Os Muçulmanos pacíficos tornaram-se irrelevantes pelo seu silêncio!   Esses mesmos Muçulmanos, amantes da paz, tornar-se-ão nossos inimigos se não falarem, porque, como o meu amigo da Alemanha, vão despertar um dia e descobrir que são propriedade dos fanáticos e que o final de seu mundo terá começado.

Os amantes da paz alemães (japoneses, chineses, russos, ruandeses, sérvios, afegãos, iraquianos, palestinianos, somalis, nigerianos, argelinos e muitos outros) morreram porque a maioria pacífica não falou até que fosse tarde demais.

Agora, orações islâmicas foram introduzidas em Toronto e outras escolas públicas em Ontário e, também, em Ottawa, enquanto a oração do Senhor foi removida (devido a ser tão… ofensiva?).

A maneira islâmica pode ser pacífica, de momento, em cada um dos nossos países, até os fanáticos se mudarem para cá.

Na Austrália e, de facto, em muitos países ao redor do mundo, muitos dos alimentos mais comumente consumidos têm o “emblema halal” (o que é permitido por Alá). Basta olhar para a parte de trás de algumas das barras de chocolate mais populares e noutros alimentos nos supermercados locais. Alimentos em aeronaves têm o emblema halal apenas para apaziguar uma minoria privilegiada, que agora se está expandindo rapidamente dentro das margens da nação.

No Reino Unido, as comunidades muçulmanas recusam-se a integrar-se e agora há dezenas de zonas "no-go" dentro de grandes cidades de todo o país em que a força policial não ousa se intrometer. A Lei Sharia prevalece lá, porque a comunidade muçulmana naquelas áreas se recusa a reconhecer a lei britânica.

Quanto a nós que assistimos a tudo isto, devemos prestar atenção para o único grupo que conta – os fanáticos que ameaçam o nosso modo de vida!

Por fim, qualquer um que duvide que o problema é grave e por ignorar os avisos que aqui se lançam e não partilhe e espalhe o que aqui se explana, estará a contribuir para a passividade que permite que os problemas se expandam.

Partilhe este texto! Vamos esperar que milhares de pessoas, em todo o mundo, leiam e pensem sobre isto e também divulguem esta mensagem – antes que seja tarde demais.

E isto tudo está acontecendo, porque...

INCONCEBIVELMENTE, ESTAMOS E CONTINUAMOS EM SILÊNCIO...!!!

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Portugal vs Espanha

"O trabalhador espanhol ganha mais do que o português, tem uma carga fiscal média mais baixa e paga menos contribuições para a Segurança Social. Resultado: os espanhóis ficam, em média, com mais 580,44€ do que um português para se governarem durante o mês – e ainda gastam menos dinheiro a adquirir os produtos essenciais para viver. Não admira que a sua Economia seja mais pujante do que a portuguesa e que os espanhóis tenham um melhor nível de vida líquido do que o nosso." by António Domingos.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Justiça Social de Esquerda versão Geringonça Estação 2016/2017


Factos da Justiça Social de Esquerda versão Geringonça Estação 2016/2017:
- Pensão de 7500€ aumenta 238€;
- Pensão de 238€ aumenta 1€;
- Aumentam 11 impostos;
- Há aumentos no IRS;
- A sobretaxa não é eliminada para já, vai sendo eliminada ao longo de 2017;
- A inflação prevista para 2017 é de 1,5%;
- A actualização dos escalões do IRS é de 0,8%. Portanto, para quem conseguir aumentos de salários em linha com a inflação, terá mais salário exposto aos "escalões de cima". Quem não tiver aumentos... tem perda de poder de compra. Isto é válido para as pensões e para todos os rendimentos;
- O Governo não apresenta nenhuma estimativa da receita fiscal, por imposto, para este ano. Não há memória de isto alguma vez ter acontecido;
- O salário do novo presidente da CGD é de 423 mil euros por ano, ou seja mais de €30 mil por mês (quase o dobro do anterior Presidente) e vai acumular ordenado com reforma; o valor das remunerações pode ainda vir a ser mais alto, pela existência de prémios pelo desempenho, que podem ir até metade da remuneração fixa; o Presidente da CGD pode assim chegar a ganhar 634 mil euros por ano!

domingo, 25 de setembro de 2016

Queremos que quem tem mais capacidade contribua mais.


Por estes dias ouve-se na discussão das medidas mais controversas para o Orçamento de Estado para 2017, uma frase lapidar: "Queremos que quem tem mais capacidade contribua mais".
Mas quem tem mais capacidade não é quem já contribui mais?
Os escalões do IRS não afectam já de sobremaneira os rendimentos de quem ganha mais? Quem ganha mais, já paga muito mais IRS. Quem ganha mais, compra mais, gasta mais, por isso também paga mais IVA. Quem ganha mais, compra uns carros melhores e uns apartamentos mais caros, por isso paga mais IA, mais Imposto de Selo, mais IMI e mais IVA também aqui.
Até que ponto é razoável pedirmos a quem mais ganha e mais tem, que contribua ainda mais para o Orçamento do Estado?
Ao ponto de se atacar a poupança?
Só quem for preguiçoso (ou incapaz, e nesse caso tem razão para isso), é que pode esperar que sejam os outros, através da colecta de impostos do estado, a pagar por o próprio fazer pouco ou não fazer nada. Daí ser fundamental que a função redistributiva do Estado seja justa e equilibrada.
O trabalho deve ser recompensado.
A poupança deve ser preservada.
Quem trabalhou e poupou, deve ver as suas poupanças protegidas.
Não interessa se tem muita ou pouca poupança, mas as pessoas já começam a dizer que está na hora de comprar um cofre e tirar o dinheiro dos bancos.
Isto não é normal, num país que diz ser de direito, e que diz preservar a propriedade privada.
O desvio à esquerda deste Governo, por não ser um fenómeno revolucionário visível, não deixa de ser preocupante.
No passado quando houve tentativas absolutistas ou revolucionárias a tentar subverter a democracia em que vivemos, a população revoltou-se e os militares apoiaram essa revolta.
Hoje há outro tipo de revolta em preparação. Como li há mais de uma década, e recentemente de novo, em artigos de comunicação social escrita, chamou-se a atenção para o crescimento do "Partido dos Portugueses que vivem do Orçamento de Estado", em que se reforçava a ideia do estado continuar a ir cada vez mais ao bolso dos que produzem, para dar aos que vivem do estado, e que um dia os primeiros vão-se cansar ou vão-se embora, e todos estarão na posição dos segundos, à espera que o estado lhes dê o que conseguir ir buscar aos primeiros. Mas como não há primeiros...
Caminhamos calmamente para a destruição do Estado Social, que caracteriza as sociedades democráticas europeias, e não por algum governo radical de direita, querer acabar com ele, mas sim porque os governos de esquerda que temos tido, continuarem a querer engordá-lo, a um ponto em que ele não é sustentável por sí, não é sustentável porque não há quem mais contribua para ele, e não é sustentável porque não há quem empreste ao Estado, por não acreditarem que ele alguma vez consiga devolver aquilo que pede emprestado.
Estamos no chamado "nó górdio". E ou somos capazes de o desatar, preservando as funções essências do Estado, nomeadamente a função redistributiva equitativa, ou então calmamente caminhamos para a sua implosão.
Algumas das causas sociais que tanto defendemos no nosso modelo social europeu, como o direito às pensões, o direito ao subsídio de desemprego, os salários da função pública, tudo isto e muito mais, estará em causa (de novo) se levarmos o estado à falência.
Temos de o evitar a todo o custo.
E não é defendendo bandeiras e ideologias bacocas, que o vamos conseguir. O Socialismo, a Social-Democracia, o Comunismo, não têm respostas para os problemas de hoje. Temos de conseguir encontrar caminhos no meio das ideologias, sobretudo virado para tornar o Estado mais eficiente, mais justo, mais equitativo e capaz de responder aos anseios dos contribuintes que com ele assinam um contrato de cidadania.
Por isso agora chamo a atenção ao que de mal este governo tem feito, da mesma forma como chamei a atenção a tudo o que de mal o governo anterior fez.
E não estou sequer a comparar quem fez pior. Abstenho-me de comparações, pois são sempre relativas e tem mais que ver com os olhos de quem olha para ambas. Vejo é o que de mal se está a fazer ao país, e temo que por este andar as consequências ainda sejam piores que em 2011.
Esperemos que não...

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Quem paga impostos em Portugal?

A demagogia de certos agentes políticos da esquerda radical tem, mais uma vez, insistido em que " os mais ricos e as maiores empresas não pagam impostos em Portugal" . Partem mesmo dessa afirmação para justificar a introdução de um novo imposto sobre o património ( imobiliário para já e mobiliário para depois ). Convém esclarecer que esse património foi acumulado através de rendimentos passados não consumidos ( poupança / reservas) que foram investidos em bens imóveis ou em valores mobiliários.
Acontece que os rendimentos das famílias e das empresas só passam à categoria de poupanças (ou reservas) depois de pagarem impostos sobre esses rendimentos . IRS nas pessoas singulares ( famílias ) ; IRC nas pessoas colectivas ( empresas).
E essa tributação , IRS e IRS , chamada de tributação directa, constitui , a par com as contribuições para a segurança social , mais de 53% das receitas das Administrações Publicas ( vulgo, Estado ) em Portugal.
É um facto indesmentível ( os numeros são da DGO) que no caso do IRS e do IRC se verifica uma grande concentração de colecta nos escalões de mais alto rendimento :
- 0,6% das famílias ( 27 605 num total de 4.624.902) pagam mais de 21% da receita total do IRS , pagando,em média, 80 000 € / ano;
- 2,1% das empresas ( 6 242 num total de 296.664) pagam 67,7% da receita total de IRC,pagando em média 323.924 €/ ano.
Como se vê, é pura MENTIRA a afirmação de que as famílias mais ricas e as maiores empresas "não pagam impostos". Pagam e pagam bem, talvez demais, pois parte desses impostos poderiam ser transformados em investimento,crescimento económico e emprego em vez de serem objecto de enorme desperdício na maquina do Estado e na sua burocracia.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

BE & PCP em relação ao Governo PS: Calados como "Carneiros"!

A revista Sábado fez um apanhado de como o BE e o PCP falavam mal de tudo o que era do anterior Governo.
Agora que as coisas estão iguais ou mesmo piores, estão caladinhos... ninguém os ouve!
Gente séria, é outra coisa...


sexta-feira, 22 de julho de 2016

Interesses querem rebentar com a Banca Portuguesa?

Rebentar com a banca? Sim!
Depois do BES e do BANIF, agora o Novo Banco!
E a CGD?
O Novo Banco se não for vendido agora, Centeno já disse que em Agosto de 2017, entra em "liquidação ordeira".
Centeno está à espera que os depositantes comecem a retirar depósitos do Novo Banco e os créditos e negócios sejam transferidos para outros bancos?
Na verdade, quem faz um negócio sabendo que o parceiro tem data marcada para morrer?

Uma vergonha de ministro.
Há outra possibilidade.
Centeno procurou desvalorizar o banco para o vender a saldo.
Mas isso vai custar milhares de milhões aos bancos, no Fundo de Resolução.
Não se entende.

Foi o mesmo que com o BANIF: desvalorizar brutalmente o Banco para o vender por tostões.
No BANIF fizeram tudo bem, excepto o principal: já se sabia que havia alguma desvalorização dos activos do banco, mas passar de 20% para 80% é inadmissível, sobretudo sabendo que o banco estava intervencionado (e tinha um administrador ex-ministro socialista).

Atrevo-me a avançar outra possibilidade: Alguém saberá o que anda a fazer, mas o Centeno não é, seguramente, essa pessoa...


* - Apanhados por aí na net...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

A escassez de poupança e dependência externa - ‘Olhos nos Olhos’ da TVI24

"Nova euforia de incremento no consumo é contraproducente"

“Dentro de três a cinco anos não vamos ter um único banco português”, acredita Vítor Bento, frisando que o Estado português “não pode continuar a ser um consumidor de recursos”.

Vítor Bento esteve esta noite com Medina Carreira no programa ‘Olhos nos Olhos’ da TVI24 para falar da escassez de poupança e dependência externa.


Devia ser obrigatório todos os portugueses verem este programa! Cada minuto do programa vale ouro. Para se perceber porque vamos ter a Troika, de novo em Portugal, daqui a pouco tempo.

Certo de que “não temos poupança suficiente para as necessidades” e que “fomos perdendo posições em empresas importantes”, tornando-nos mesmo “uma espécie de economia colonial”, Medina Carreira deu mote à conversa.

Para Vítor Bento, um dos problemas mais crassos da nossa economia é a “acumulação de défices externos” que se tem vido a registar desde o início da década de 90. “O país gastou mais do que tinha, o que se traduz na perda de poupança nacional”.

Analisando dados recentes, o economista explicou que, do stock de capital produzido no país, “metade não é nosso”. Daí conclui-se que “precisamos de aumentar poupança para ganharmos o nosso próprio controlo”.

“As famílias têm de se habituar a poupar mais, até para se precaver para o futuro dada a situação da Segurança Social”, garantiu Vítor Bento, que considera que “o mesmo se aplica às empresas e ao Estado”. “O Estado não pode continuar a ser um consumidor de recursos, senão as famílias tem de poupar ainda mais”, explicou.

Posto isto, o antigo presidente do Novo Banco acredita que “a nova euforia de incremento no consumo é contraproducente e vai contribuir para o aumento da nossa dependência externa, que faz de nós uma economia subsidiária”.

O economista olha, a título exemplificativo, para a privatização de empresas estatais. Ainda que assumindo que “cada caso individual seja perfeitamente justificável”, não deixa de notar que “o conjunto das empresas mais emblemáticas portuguesas são ou estão em vias de ficar estrangeiras”.

No espaço de comentário de Medina Carreira, o convidado desta semana recordou as suas próprias afirmações que davam conta de que “dentro de três a cinco anos não vamos ter um único banco português”. E hoje reiterou: “Provavelmente será mais cedo do que isso. É a consequência inevitável disto tudo”.

“Ter bancos estrangeiros não tem problema nenhum. Mas eu não conheço nenhuma sociedade desenvolvida em que todo o sistema bancário seja estrangeiro. Isso cria uma vulnerabilidade. Atrás dos bancos virão as empresas”, explicou.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

O DIABO QUE NOS IMPARIU

Imparidades é nome técnico mas é de perdas que falamos quando os bancos colapsam, o Estado ajuda e os prejuízos se avolumam. Como os bancos destruíram 40 mil milhões debaixo do seu nariz.



Sabe o que vale 40 mil milhões de euros? Os bancos portugueses também não sabiam, pelo que tiveram de abatê-los nos seus balanços nos últimos oito anos. Houve perdas enormes, que destruíram poupança, riqueza e capital. Use a escala que quiser, é sempre uma enormidade: são quatro meses de PIB, uma vez a meia a “pipa de massa” que Durão Barroso chamou aos fundos de Bruxelas para Portugal de 2014 a 2020, equivale a cinco anos de orçamento da Saúde, daria para comprar 400 mil Ronaldos e, se os enfileirássemos em moedas de um euro, daria para mais de duas voltas à Terra. Ou para um colar que fosse e voltasse à Lua, levado por um vaivém, nome escolhido para as naves que não se sepultam no espaço. Os vaivéns vão e voltam. Como as crises financeiras. Mas aprendem pelo caminho. Como nas crises financeiras. 

O processo 


Um. Imagine que, no calor da explosão do crédito à habitação, comprou uma casa por 200 mil euros com um financiamento bancário de 160 mil euros. A casa foi então avaliada pelo banco pelos 200 mil euros e o imóvel foi aceite como garantia (ou seja, como colateral ou hipoteca) do crédito. Mais tarde, quando o mercado do crédito à habitação esfria, as regras do Banco Central Europeu obrigam a que o banco reconheça que o imóvel afinal não vale 200 mas sim 150 mil euros. A diferença entre os 200 mil (valor original no balanço do banco) e os 150 mil (novo valor) é uma imparidade. Não pense que o caso é isolado: nos últimos anos, os bancos baixaram os valores de imóveis contabilizados nos livros em milhares de milhões de euros. Quando, em cima disso, o cliente não paga o crédito, o banco fica com a casa e, se a vende por menos do que a dívida, como aconteceu muitas vezes nos últimos anos, a diferença é prejuízo do banco.

Em moedas de um euro, os 40 mil milhões de imparidades nos bancos formavam uma fila capaz de dar duas voltas à Terra


Dois. Imagine agora que compra grandes quantidades de ações de empresas em Bolsa com crédito do banco, que aceita as próprias ações como garantia. Quando as ações desvalorizam, o que acontece? Isso mesmo: uma imparidade. Foi o que aconteceu em muitos casos no final da década passada, sendo o caso mais tonitruante o de Joe Berardo, que chegou a ter dívidas de mil milhões de euros para comprar ações cujo valor derreteu. As ações do BCP chegaram a ser compradas por 3,9 euros (cotação ajustada a acontecimentos posteriores). Hoje valem... cinco cêntimos. Estas imparidades monumentais, de quase 90%, já foram em regra assumidas nas contas dos bancos. Assim como os prejuízos, que ocorreram quando os devedores não pagaram o que deviam. Sim, Joe Berardo foi um desses casos. Mas só um.

Três. Agora puxe muito pela imaginação. Mesmo muito. Vale a pena o esforço, pois aqui se explicará grande parte dos últimos prejuízos bancários. Imagine que cria uma sociedade que compra um terreno, para construir um hotel ou um prédio, e que o faz com crédito do banco, que aceita o terreno e o hotel que ainda nem está construído como garantias. Depois, imagine que nem sequer constrói o hotel ou, construindo-o, que ele fica tão caro que o dinheiro gerado pela sua exploração não basta para pagar as dívidas. Bom, então o terreno não valia tanto como o banco contabilizou no balanço... é uma imparidade. E se a dívida não for paga, o banco fica com o terreno e com hotel, que acaba por vender por muito menos: é um prejuízo. Espere, não corte ainda o fio da imaginação, esta história continua já a seguir. Mas para já fique a saber que houve centenas de casos como este, que o país ficou cheio de terrenos de empresas falidas e com estaleiros de obras paradas de hotéis e de prédios. Vamos, puxe ainda mais pela imaginação, imagine que o mundo não é feito só de pessoas boas e prepare-se para entrar no lado negro dos negócios.

A fraude da década 


O esquema está espalhado no topo de quatro destas páginas de uma forma simplificada e, nos parágrafos que se seguem, ganha contornos mais complicados. Deixe de imaginar que o caso é seu, afinal ninguém faria semelhante coisa, mas admita que um empresário imaginário percorre os passos que levam ao último tipo de imparidade explicado infra, a do terreno para construir um hotel ou um edifício. O empresário é imaginário mas a reconstituição feita pelo Expresso resulta da confrontação de várias fontes, de bancos, de reguladores, da academia, avaliadores, advogados, financeiros.

O empresário imaginário compra um terreno para construir um hotel ou um edifício por um milhão. Depois, vende o mesmo terreno por cinco milhões a uma sociedade imobiliária, que ele próprio controla, em conjunto com vários cúmplic... sócios. Essa sociedade tem como único objeto a gestão do projeto de construção, como único ativo o terreno e como único passivo uma dívida: a compra por cinco milhões é feita com crédito do banco, que aceitou o terreno como garantia, e que financiará a construção subsequente em face de um plano de negócios que prevê receitas elevadas no futuro com a exploração do hotel ou com a venda de apartamentos ou escritórios do edifício. A construção começa e o empresário imaginário e os seus sócios inventam mais um expediente para lucrar, criando um intermediário entre a sociedade que está a construir o imóvel e os fornecedores. Por cada 100 euros que compra de cimento, de ferro, de mosaicos ou de caixilharias a fornecedores, esse intermediário cobra 110 euros à sociedade imobiliária. O lucro da intermediação, de 10%, fica no intermediário. Ou seja, nos bolsos do empresário imaginário & sócios. Ou melhor, em contas offshore. Como se percebe, o empresário lucrou quatro milhões com o terreno inicial e 10% do custo da obra, dinheiro que esconde do fisco num paraíso fiscal e que mais tarde “lava” no Regime Excecional de Regularização Tributária: houve três RERT na última década, que amnistiaram quase seis mil milhões de euros que estavam irregularmente depositados no estrangeiro, grande parte dos quais na Suíça. O problema é que este lucro do empresário imaginário inflacionou o custo de construção de tal forma que o projeto se tornou inviável: as receitas das vendas dos apartamentos ou das diárias dos hotéis são insuficientes. Quando chega a hora de pagar a dívida, o dinheiro não chega. Até porque o banco deu, no início, uma carência de cinco anos para dar tempo à construção: durante todo esse tempo, o empresário não teve de pagar, embora o banco registasse todos os meses a receita dos juros que seriam pagos mais tarde. O pior cenário concretiza-se: a sociedade abre falência, o banco fica com o terreno e o imóvel em dação de pagamento, tem de anular os juros contabilizados nos anos anteriores (um prejuízo), é obrigado a registar a imparidade nas contas até que, mais tarde, vende o terreno e o imóvel a um novo comprador, por muito menos do que o crédito inicial (outro prejuízo). Como a dívida do novo comprador é menor, o hotel já é viável.

Muitos empresários puderam retirar dinheiro para offshores. Depois, regularizaram o dinheiro nas amnistias RERT


A falha neste processo está na concessão do crédito. Por que razão o banco concedeu um crédito inicial tão acima do que os valores de mercado recomendavam? Há duas respostas: a benigna é excesso de otimismo na avaliação do projeto de investimento, tendo-se acreditado que ele geraria receitas que não se confirmariam; a segunda é maligna, ter havido troca de favores ou mesmo de dinheiros. No caso do Banco Espírito Santo, sabe-se hoje, vários dos maiores clientes do banco eram acionistas do Grupo Espírito Santo, perguntando-se se havia correlação entre uma coisa e outra: os clientes do BES tinham facilidades no acesso ao crédito em troca de investirem no GES? Ou, inversamente, por serem acionistas do GES tinham preferência no crédito do BES? Outra pista: lembra-se do presente de 14 milhões de José Guilherme a Ricardo Salgado? O construtor tinha vários empréstimos do BES para projetos imobiliários mas o antigo líder do império BES sempre negou qualquer relação ou que a prenda fosse uma comissão. 

Quantos presentes terão sido trocados entre empresários e banqueiros? Quantos se ajudaram em benefício recíproco mas em prejuízo do banco?

O empresário do negócio anterior era imaginário mas também pode ser imaginado. A banca não era essencialmente este negócio mas foram muitos destes negócios que rebentaram como persistentes bombinhas nas contas dos bancos. Sobretudo em quatro bancos, BES, CGD, BCP e BPN. BPI e Santander, os outros “grandes”, tinham muito menos crédito à construção e imobiliário. Por alguma razão, os seus nomes não estão nos escândalos financeiros dos últimos oito anos, recordados na última página deste trabalho.

Quando o Expresso revelou no início do verão deste ano quais eram os 50 maiores devedores do BES antes do colapso, mostrou que eles agregavam mais de 700 empresas que tiveram um crédito total de dez mil milhões de euros. Muitas dessas empresas faliram, em prejuízo do ainda chamado BES, que ora é nome de banco mau. O peso de construtores e promotores imobiliários nessa lista de 50 é avassalador, incluindo o Grupo Mota-Engil, que era chamado “construtora do regime” na década passada, e o Grupo Lena, que foi colocado sob suspeita pelo Ministério Público num alegado esquema de favorecimentos envolvendo José Sócrates.

Mas se muitos dos maiores devedores ao BES são conhecidos, a maioria dos “50 mais” nunca teve notícia em jornal. Sabe quem é Emídio Catum? É um desses empresários da construção, que estava na lista de créditos do BES com empresas que entretanto faliram. Curiosamente, Catum também estava na lista dos maiores devedores ao BPN, com empresas de construção e imobiliário que também faliram. Há várias empresas ligadas ao grupo SLN e aos empresários Emídio Catum e Fernando Fantasia no rol dos perdidos do BPN, tento entrado dezenas de processos em tribunal contra eles. O padrão é o mesmo: empresas pedem créditos, não os pagam, vão à falência, têm administradores judiciais (nas empresas de Catum, o mesmo administrador judicial “gere” a massa falida de várias), não pagam nem têm mais ativos para pagar, o prejuízo fica no banco, o banco é intervencionado, o prejuízo passa para o Estado. E dezenas de terrenos à volta de Lisboa ficam abandonados. No BPN, mais de 500 grandes clientes com dívidas superiores a meio milhão de euros deixaram de pagar. Muitos deles entraram em insolvência e como tinham poucas ou nenhumas garantias, as hipóteses de recuperação do crédito mesmo com ações interpostas nos tribunais são reduzidas.


Outro caso famoso é o de Luís Filipe Vieira, atual presidente do Benfica, cujas empresas deixaram uma dívida de 17 milhões do BPN à Parvalorem, do Estado, e acumulavam 600 milhões de crédito ao BES, parte dos quais sairiam para uma seguradora do grupo. Note-se que nem todos os casos acabam mal. Carlos Saraiva acumulou uma dívida de quase mil milhões a vários bancos (incluindo BES e BCP), que passaram para o fundo de reestruturação ECS Capital, deixando prejuízos nos bancos (e nos fornecedores). Ainda assim, neste caso a ECS tem concluído vários projetos hoteleiros que está a comercializar, viabilizando-os e evitando “elefantes brancos” espalhados pelo país. Ainda agora abriu em Lisboa o Hotel Palácio do Governador, um cinco estrelas herdado de Carlos Saraiva onde as ervas cresciam e as caves alagavam.

Outro nome que também deixou perdas tanto no BPN como no Novo Banco foi o de Duarte Lima — sim, esta história também tem políticos. Duarte Lima foi condenado em primeira instância a dez anos de prisão por financiamentos do BPN para fins ilícitos para comprar terrenos em Oeiras, tendo recorrido da decisão. Arlindo de Carvalho está acusado de burla, abuso de confiança e fraude fiscal também por ilícitos relacionados com crédito concedido pelo BPN para compra de terrenos. Dias Loureiro foi constituído arguido em 2009 por negócios que envolveram compras de empresas em Porto Rico e Marrocos, por suspeita de crimes fiscais, falsificação de documentos e burla. Seis anos depois, ainda não foi acusado pelo Ministério Público. Nem o processo arquivado. Estes nomes, a que se juntou o de Oliveira Costa, estão ligados ao PSD, mas outros nomes há ligados ao PS, começando pelo de Armando Vara, que foi condenado em primeira instância a cinco anos de prisão por três crimes de tráfico de influência no âmbito do processo ‘Face Oculta’. Vara, que recorreu desta condenação, está a também a ser investigado por alegado envolvimento em operações de financiamento do empreendimento de Vale do Lobo. Armando Vara era então administrador da Caixa Geral de Depósitos (seria depois vice-presidente do BCP), que esteve por trás de financiamentos imobiliários e em ações que deixaram um rasto de imparidades e prejuízos. A ligação da então administração ao poder político (José Sócrates era primeiro-ministro) suscitou polémica.

E, portanto, mais capital


As imparidades reduzem o valor do ativo dos bancos; os prejuízos reduzem a sua situação líquida; ambos implicam reforços de capital dos bancos, para cumprir rácios mínimos, cujos níveis foram aliás aumentados pelo Banco Central Europeu. Desde 2008, os bancos portugueses realizaram aumentos de capital no total de quase 14 mil milhões de euros. Além disso, o Estado foi chamado a ajudar com 6,5 mil milhões de euros, parte dos quais ainda não foi devolvida.

Toda esta informação está detalhada nas tabelas e gráficos das últimas páginas, que mostram claramente três períodos na banca: fortes lucros entre 2000 e 2007, redução com a crise financeira internacional de 2008 a 2010, e prejuízos após a crise portuguesa de 2011 a 2014. As mesmas informações mostram que, durante duas décadas, mais de um terço dos lucros foi distribuído aos acionistas. É mais do que os mesmos bancos pagavam de impostos.

Foram muitos negócios imobiliários que rebentaram nas contas dos bancos. Sobretudo em quatro, BES, CGD, BCP e BPN


É possível afirmar que os prejuízos pós-2011 são o reverso dos lucros anteriores. Conforme se vê noutro gráfico publicado neste trabalho, quase metade dos créditos em incumprimento nos bancos em 2012 tinha sido concedida em 2006, 2007 e 2008. Precisamente anos de fortes lucros. Porque os juros de um crédito, enquanto são pagos, são lucro do banco; quando deixam de ser pagos são prejuízo. O excesso de otimismo na concessão de crédito deu anos de prosperidade aos bancos — e aos seus acionistas; quando os devedores deixaram de pagar, o que foi agravado pela crise financeira e pela recessão, ficaram os prejuízos. É por isso que se pode argumentar que, na verdade, os bancos não andaram a distribuir lucros pelos acionistas, mas sim capital, por terem artificialmente inflacionado os lucros. E por terem recebido prémios de gestão por isso: o caso mais evidente era o do BCP na era de Jardim Gonçalves, quando o banco chegava a distribuir 10% dos lucros pelos seus administradores.

Capital que faltou 


É a dar crédito que os bancos geram lucro e, com a criação do euro, a descida das taxas de juro permitiu um banho de financiamento bancário. Nem tudo são negociatas, os incentivos ao endividamento existiam com um crédito barato e com a pressão dos acionistas dos bancos, destes sobre os administradores e destes sobre os gestores de balcão para conceder crédito. As máquinas comerciais venderam cartões de crédito, créditos automóvel e contas-ordenado como se vivêssemos hoje o amanhã. Mas nada foi tão grande como o crédito à habitação, a preços baratíssimos, que deixou um pesado legado: o dinheiro era emprestado com spreads inferiores a 1% a 40 anos, mas como os bancos se financiam a prazos muito inferiores, mais tarde pagariam pelo dinheiro que geraram mais do que pelo dinheiro que emprestaram. Muitos bancos foram vendendo carteiras de crédito com desconto, antecipando prejuízos. A maioria deixou o problema ser mastigado lentamente ao longo de anos — e anos é o que ainda falta para digerir todo o prejuízo desses créditos tão baratos. Essa perda, somada à dos créditos empresariais por pagar, gerou prejuízos superiores a sete mil milhões de euros depois da intervenção da troika. O processo teve também impactos sociais: desde 2008, quase mil balcões fecharam em Portugal e foram despedidos quase sete mil bancários. Na construção, pior, muito pior: nos últimos cinco anos encerraram 36 mil empresas e perderam o emprego 262 mil trabalhadores. Poderia ter sido diferente?

A regulação aos papéis 


O papel do Banco de Portugal em todos estes anos está no centro no debate. Até 2008, pela “supervisão de secretária”, focada em rácios e em relatórios enviados pelos bancos mas sem “sujar as mãos” dentro dos bancos. Depois do colapso do BPN e do BPP, a pressão social, política e mediática mudou este comportamento, mas mesmo assim os bancos continuaram a endividar-se alegremente. Hoje, a imagem do Banco de Portugal deixou de ser pura e intocável. 

Quando a troika chegou, em 2011, os bancos tinham créditos concedidos muito mais elevados do que os depósitos recolhidos: estavam “alavancados”. Assim se explica que Portugal seja, proporcionalmente, um dos países mais endividados do mundo. A dívida pública é enorme mas a dívida privada é ainda maior. E se a dívida pública dificilmente pode ser paga na totalidade e em condições normais, como mesmo hoje o FMI reconhece, o mesmo se aplica à dívida privada, que também vai sendo reestruturada, mas aos poucos, com sucessões de falências, de imparidades, de prejuízos nos bancos. Só que, a partir de um certo nível, a linha que separa a dívida privada da dívida pública é ténue.

Prejuízos pós-2011 são o reverso dos lucros anteriores. Os bancos não andaram a distribuir lucros pelos acionistas, mas capital


Quando, em 2011, os bancos pressionaram publicamente José Sócrates para pedir ajuda externa, fizeram-no porque as taxas de juro portuguesas estavam altas e a dívida descontrolada. Mas é hoje possível dizer que também o fizeram por necessidade própria. Embora passassem mais de um ano a repetir que o Estado estava mal mas os bancos estavam bem, isso não era verdade. O corte dos ratings oneraria os custos dos bancos, que estavam muito endividados e tinham ativos que hoje sabemos ser tóxicos. Sem apoio do Estado, os bancos não teriam conseguido fazer os aumentos de capital necessários. A relação entre Estado e banca é indissociável, nos dois sentidos.

A intervenção dos poderes públicos no sistema financeiro foi feita devagar, apoiando aumentos de capital sucessivos, o que teve o mérito de não provocar instabilidade no sistema: não houve fuga de depósitos em Portugal, ao contrário do que se passou na Grécia. Mas soluções seguidas noutros países foram mais rápidas. Em Inglaterra, houve nacionalizações. Em Espanha, que tinha um problema imobiliário muito maior, a intervenção foi curta e grossa: criaram-se “bancos maus” para isolar os ativos tóxicos, deles libertando os bancos, que hoje estão recompostos. Em Portugal, esse cenário chegou a estar em cima da mesa em 2011 mas preferiu-se a alternativa que politicamente era menos polémica, mas que não resolveu o problema como se de um penso rápido se tratasse. A separação do BES em banco bom e banco mau, bem como o isolamento dos ativos tóxicos do Banif, seguem já o modelo espanhol. Isolar o mau para não contaminar o bom.

Pode repetir-se? 


As crises financeiras são sucessivas ao longo das décadas, formando bolhas de crédito que acabam por rebentar. Mas a mudança da supervisão já em janeiro terá impactos grandes, com a passagem dos maiores bancos portugueses para a alçada da União Bancária. Daí em diante, será o Banco Central Europeu a vigiar esses bancos, impondo rácios de capital apertados, realizando testes de stresse regulares, criando modelos de intervenção pública dissuasores. Vítor Bento dizia há dias que os bancos portugueses vão acabar por ser todos estrangeiros, por falta de capital em Portugal para os controlar. Mas a própria União Bancária terá efeitos nas transferências de capital internas na União Europeia, com provável concentração de bancos em grupos financeiros europeus. Neste momento, já há transferências de movimentos de capital (e de depósitos) para países como a Alemanha, por perceção de segurança do seu sector financeiro, e isso pode deixar os bancos em Portugal cada vez mais regionais. 

Deve a regulação intervir de modo a controlar não só a quantidade mas também o tipo de crédito concedido? Nos Estados Unidos, onde a concorrência é desembestada, o banco central controla-o através da observação do cumprimento dos modelos de negócios. Na Europa, o controlo não é feito a esse nível. Mas é exigível que o BCE tenha mecanismos de prevenção de destruição de poupança como a que se verificou em Portugal. 

O crédito é um acelerador económico, permite que os jardins da prosperidade floresçam, que as oliveiras medrem, que os dias sejam melhores, mas é também como o sal na comida, mata se tomado desregradamente. Como é que um país se endividou tanto e teve um crescimento económico tão baixo? A resposta está nestas páginas, na concentração da dívida na habitação, no imobiliário, na construção — e na extração por interesses particulares através de práticas irregulares e ilícitas. O que define o desenvolvimento económico é a utilização produtiva da poupança acumulada. Se o crédito é concedido sem assegurar o seu reembolso, como aconteceu em Portugal, há destruição de poupança: 40 mil milhões em menos de uma década. Depois desta devastação, a visão de uns e a supervisão de outros têm a responsabilidade de dar lições em vez de aprendê-las. Para que não haja mais Jardins de má memória, Oliveiras podres, Dias desaparecidos. E para que o Estado não volte a ficar Salgado.

AS PERDAS NOS BANCOS EM CINCO PASSOS


1 IMPARIDADES

Os bancos portugueses registaram milhares de milhões de euros de imparidades desde 2008. Segundo dados do Banco de Portugal foram quase 40 mil milhões no total


2 RESULTADOS

A partir de 2011, ano da intervenção externa em Portugal, os bancos entraram num período de fortes prejuízos


3 CONTRIBUTO PARA O CRÉDITO

A maior parte do crédito a sociedades não financeiras (SNF) que estavam em incumprimento no final de 2012 tinha sido concedido entre 2005 e 2009

4 AUMENTO DE CAPITAL

Os bancos aumentaram os seus capitais em mais de 14 mil milhões de euros desde 2008. Além disso, pediram ao Estado 6,5 mil milhões


5 RESULTADO LÍQUIDO E DIVIDENDOS

Os fortes lucros da banca até 2007 refrearam, depois, até 2010. Nestes anos, a proporção de lucros distribuída como dividendos foi superior a um terço. Depois de 2011, os bancos acumularam 7,37 mil milhões de prejuízos. Mesmo assim, houve 253 milhões de dividendos pagos. (Nota: os dividendos distribuídos incluem resultados gerados por créditos que no futuro poderão requerer a constituição de imparidades)


OITO ANOS DE ESCÂNDALOS FINANCEIROS


BCP, 2007 O BCP foi acusado de financiar encapotadamente os seus próprios aumentos de capital, em 2000 e 2001, através de crédito dado a sociedades offshore que compraram ações do banco. O Ministério Público abriu investigação e acusou ex-administradores do banco, incluindo Jorge Jardim Gonçalves, de crime de manipulação do mercado e falsificação de documentos. Os processos estão ainda em recurso. Outra acusação inicial, a de burla, foi retirada. Entretanto, a estrutura de controlo do banco mudou, com a entrada de acionistas de peso, como a Sonangol, e o Estado foi chamado a financiar o banco. As ações valiam em 2007 mais 78 vezes do que valem hoje. Desde 2008 houve sete aumentos de capital. 

BPN, 2008 Rumores e desentendimentos entre acionistas, com um bloco a contestar o fundador do banco, José Oliveira Costa, aceleraram as investigações a operações suspeitas, pondo a nu uma teia de cumplicidades como nunca se tinha visto no Portugal democrático. O BPN foi nacionalizado em novembro de 2008 e já custou ao Estado €4,5 mil milhões, mas há ainda €3,2 mil milhões de créditos tóxicos por cobrar, que foram colocados num veículo do Estado quando o banco foi vendido ao luso-angolano BIC, em dezembro de 2011. Muitos processos estão ainda em aberto, com acusações de burla qualificada, abuso de confiança, branqueamento de capitais, fraude fiscal qualificada, aquisição ilícita de ações e falsificação de documentos.

BPP, 2008 Um mês depois da nacionalização do BPN, o BPP precisou de uma injeção de €450 milhões, tendo sido formado um sindicato bancário com aval do Estado. O presidente do banco, João Rendeiro, foi afastado do banco e após várias tentativas de venda, o BPP entrou em processo de liquidação, situação em que ainda se encontra. Na mesma altura em que Rendeiro pediu dinheiro às Finanças e ao Banco de Portugal, lançou um livro com o nome “História de um banqueiro de sucesso”. Foi acusado de burla qualificada – de que seria absolvido em junho deste ano em primeira instância – e de falência dolosa.

BES, 2014 No verão de 2014, o grupo com mais de 150 anos de existência ruiu, foi intervencionado e partido em banco bom e banco mau. As empresas não financeiras do grupo entraram em insolvência e os impactos atingiram a Portugal Telecom. O Estado, através do Fundo de Resolução e da banca, injetou no banco ‘bom’ — o Novo Banco — €4,9 mil milhões. Ricardo Salgado está a ser investigado pelo Ministério Público por alegados crimes de fraude fiscal, branqueamento de capitais, burla qualificada, falsificação de documentos, falsificação informática, corrupção no sector privado e abuso de confiança. Fornecedores do GES e clientes de papel comercial tiveram perdas. Os prejuízos para o Estado da derrocada do Grupo Espírito Santo, e a forma como eles serão distribuídos, ficará mais claro quando o Novo Banco for vendido.